O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, reconheceu que precisará negociar com partidos do Centrão e entregar espaços no governo para conseguir aprovar projetos no Congresso, apesar de classificar integrantes desse grupo político como corruptos, “parasitas e vagabundos”. Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), ele participou nesta quarta-feira 5 da primeira sabatina promovida pelo g1 e pela GloboNews com os presidenciáveis.

Terceiro colocado nas pesquisas e empenhado em ultrapassar o senador Flávio Bolsonaro (PL) para disputar o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan afirmou que pretende adotar uma postura pragmática na relação com o Legislativo. Segundo ele, uma eventual administração do Missão estabeleceria condições para as negociações, sem recorrer a acordos que considere irregulares.

“A rota nossa é de colisão fiscal. O carrapato sabe que o boi não pode morrer, e eles sabem que, em alguma medida, reformas vão ter que passar. Tenho certeza que não dá para governar sem o Centrão, você não vai ver um discurso de molecagem. Eu terei que negociar com eles, compor o governo, mas vou estabelecer regras”, declarou.

Renan elevou o tom ao projetar a composição do próximo Congresso. “O eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos. Como eu sou um democrata, vou ter que compor, mas não com bandido, o que eu não farei são negociações não republicanas”, afirmou.

Durante a entrevista, o candidato também explicou a declaração feita em um evento partidário no dia 1º de agosto de que seu governo iria “matar quem roubar”. Ele associou a frase ao respaldo às ações policiais em situações previstas pela legislação, mas afirmou que isso não significaria acobertar abusos praticados por agentes públicos.

“Todo mundo fica inseguro de andar em São Paulo pelo assalto à mão armada. Hoje, o policial no Brasil tem a possibilidade de legítima defesa de terceiros, de tentar um tiro não letal, se acontecer de ser letal, aconteceu. O que eu estou avisando é que o approach da presidência da República tem que ser de que o bandido será tratado como bandido, e o cidadão como cidadão. O uso da força nesse caso deve ser apoiado pelo estado, mas não significa que o abuso tem que ser acobertado”, disse.

Renan citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como sua principal referência no campo da segurança pública, mas procurou marcar distância de métodos atribuídos ao governo salvadorenho. Bukele é acusado por organismos internacionais de violações de direitos humanos e de conduzir uma administração autoritária.

“Não vou atropelar nada, vou fazer o estrito cumprimento da lei. Não sou o Bukele, e sou brasileiro, meu nome é Renan Santos, não sou neto de palestinos, eu tenho outra família, nasci na Mooca, moro no Brasil e vou criar políticas de segurança muito duras para destruir o crime no contexto brasileiro. Não é uma regra de três. Você pode ter políticas de segurança sérias e ser um democrata”, declarou.

Ao abordar a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), o candidato inicialmente descartou a adoção de medidas inconstitucionais diante de decisões desfavoráveis. Em seguida, porém, admitiu que poderia deixar de cumprir uma determinação da Corte se entendesse que ela violou a Constituição.

Renan afirmou que o Supremo atua como “última instância legislativa”, enquanto o Congresso teria capturado o Orçamento. Como exemplo, disse que não obedeceria imediatamente a uma decisão monocrática destinada a impedir uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em uma área dominada por organizações criminosas.

“Há, neste instante, no Brasil, um estado inconstitucional de coisas quando o STF fica passando o tempo todo por cima das atribuições de outros poderes, e cabe ao presidente da República também não aceitar isso. Quando você está invadindo as prerrogativas essenciais de determinado poder, aquele poder pode se insurgir, não de maneira golpista, mas não acatando uma decisão que, em si, é ilegal. Não vou cumprir imediatamente uma decisão que seja ilegal”, afirmou.

O candidato sustentou ainda que suas “qualificações democráticas estão aí desde sempre”. Como argumento, lembrou que o MBL recorreu à Justiça para impedir a participação de defensores de uma intervenção militar em manifestações organizadas pelo movimento. “Nunca quis andar com essa turma”, declarou. Renan acrescentou que “tenho asco à turma que quer dar golpe de estado”.

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