A criação da União Progressista, em 2025, redesenhou o tabuleiro da política nacional. A federação entre União Brasil e PP surgiu com um discurso de modernização e responsabilidade fiscal, propagando a ideia de um “choque de prosperidade”. Mas, na prática, consolidou-se como uma das maiores estruturas de poder já vistas em Brasília, lidando com a lógica empresarial e resultados imediatos.
Logo de início, a sigla estreou com números expressivos: 109 deputados federais, 15 senadores, seis governadores, 1.400 prefeitos e cerca de 12 mil vereadores. Uma rede robusta, capaz de influenciar votações no Congresso, pautar crises, ditar negociações e sufocar adversários em escala nacional.

No microfone, a União Progressista prega responsabilidade fiscal e compromisso com a modernização. Mas na planilha política a estratégia é outra: travar votações, administrar impasses e oferecer soluções com custo delas a se conversar. Trata-se de uma forma institucionalizada de pressão, que vai além da disputa entre esquerda e direita. O que define força em Brasília é o controle sobre deputados, e a UP nasceu dominando esse espaço.
A federação vai trabalhar em torno de uma engrenagem conhecida: quanto mais deputados, maior o fundo eleitoral; quanto maior o fundo, mais tempo de televisão; quanto mais tempo de televisão, mais prefeitos ao lado; quanto mais prefeitos, mais votos acumulados. Esse ciclo gera fidelização em cadeia. Prefeitos, em busca de recursos e apoio, tornam-se cabos eleitorais de luxo. Quem segue a linha recebe proteção; quem desobedece perde fundo, legenda e espaço político. Sobre tempo de TV, que considero super importante, a eleição de Natal em 2024 mostrou a importância disso para o pleito. Enquanto redes sociais influenciam debates, o peso do tempo de televisão continua determinante para vitórias majoritárias.
A União Progressista não vai se limitar a disputar eleições para vencer. Muitas vezes lançar candidaturas sem chances reais apenas para embaralhar o jogo e enfraquecer rivais. É a lógica do xadrez: sacrificar peças menores para desequilibrar o adversário e preservar o controle da partida. O agrupamento partidário também domina o tempo político. Permanece como base de governo enquanto lhe é benéfico e, no momento certo, rompe para se reposicionar como oposição. Nesse movimento, atrai dissidentes e multiplica ganhos. Não à toa, já mira exatamente isso no PL de Valdemar da Costa Neto, onde disputas internas e descontentamento de deputados podem abrir espaço para migração par a UP.
Na política brasileira, ideologia costuma durar até a convenção partidária. A União Progressista deixa isso claro ao lidar de maneira pragmática: concentrar fundo e tempo de TV, atrair insatisfeitos, ocupar cargos estratégicos e oferecer estabilidade ao próximo governo. Mais do que uma federação, representa um novo eixo de poder em Brasília.
No Congresso, pressiona. Nas urnas, embaralha. No governo, influencia sem necessariamente ganhar. Resta a pergunta: até que ponto a democracia brasileira ainda se organiza em torno de ideias? Você ainda acha que um eleição pode ser decida em debates de ideias? Fica a indagação.