
O calendário eleitoral de 2026 começa a desenhar um cenário atípico no Rio Grande do Norte. Para concorrer ao Senado, a governadora Fátima Bezerra (PT) terá que deixar o cargo até abril, abrindo uma sequência de movimentos que embaralham a sucessão no Executivo estadual.
O vice-governador Walter Alves (MDB) já sinalizou que não pretende assumir o governo para disputar um mandato na Assembleia Legislativa. Com isso, o Estado caminha para um modelo pouco comum: a escolha de um governador e de um vice por meio de eleição indireta, realizada pelos deputados estaduais, apenas para completar o mandato até 5 de janeiro de 2027.
Até que esse processo seja concluído, quem deveria assumir interinamente seria o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira. No entanto, ele também evita ocupar o cargo para não comprometer sua própria candidatura à reeleição.
Diante desse impasse, o comando do Estado pode passar temporariamente ao presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ibanez Monteiro, que teria a missão de conduzir o governo por cerca de 30 dias e convocar a eleição indireta. Um roteiro raro, mas previsto na Constituição.
É nesse contexto que o Seridó volta ao centro das articulações políticas. Dois nomes da região aparecem nos bastidores como alternativas para assumir o Executivo nesse período de transição. Um deles é o deputado estadual Vivaldo Costa, de Caicó, ex-governador e uma das figuras mais experientes da política potiguar. O outro é o desembargador Cláudio Santos, natural de Jardim do Seridó, que já atuou no Executivo como secretário de Segurança Pública antes de chegar ao Tribunal de Justiça.
Com trajetórias distintas, os dois surgem como opções em um momento de incerteza institucional, recolocando o Seridó no centro das decisões políticas do Rio Grande do Norte. Se a região voltará ou não ao comando do Estado ainda é uma incógnita, mas seu peso nas articulações já é evidente.