Enquanto equipes da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal concluíam diligências da Operação Mederi, que investiga supostos desvios na área da saúde envolvendo prefeitos e agentes públicos de cinco municípios, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que nada tinha a esconder após a realização de buscas em sua residência.

No conteúdo publicado no Instagram, o gestor informou que agentes apreenderam um telefone celular, um notebook e dois HDs pessoais em sua casa, acrescentando que colaboraria com as investigações. Documentos obtidos pelo Blog do Dina, porém, indicam divergências entre a versão apresentada publicamente e o que consta no auto de apreensão lavrado pela Polícia Federal.

De acordo com o registro oficial, foram localizados e apreendidos na residência do prefeito um iPhone grafite com chip da operadora TIM; um iPhone Pro Max azul — descrito no documento como “iPhone 17 Pro Max”, possivelmente por erro de digitação — encontrado dentro de uma mochila de uso pessoal; um MacBook Air da Apple, com capa da marca Sonix; dois HDs externos (WD Elements e Seagate); um pen drive preto; um telefone celular da marca Positivo, de modelo simples, localizado no escritório do imóvel; e um cartão de memória microSD Kingston de 16 GB.

Ainda segundo o auto, os agentes solicitaram as senhas dos dois iPhones e do MacBook apreendidos, mas o prefeito teria se recusado a fornecê-las. As numerações de série dos aparelhos foram suprimidas do documento para preservar informações sensíveis da investigação.

Além da residência em Mossoró, a Polícia Federal também cumpriu mandado de busca em um apartamento localizado na Rua da Lagosta, no bairro de Ponta Negra, zona Sul de Natal. A diligência ocorreu nas primeiras horas da manhã e, diante da ausência de resposta, foi necessário o acionamento de um chaveiro para abertura do imóvel, procedimento autorizado judicialmente e acompanhado por testemunhas.

No local, não havia moradores no momento da ação, mas os policiais relataram sinais de presença recente. Foram encontrados objetos pessoais que, conforme o relatório, indicariam o uso do apartamento pelo prefeito e por familiares. Entre eles, um caderno com o nome “Allyson” na capa, contendo anotações manuscritas de cunho religioso, roupas de criança e bebê dispostas sobre a cama, além de uma etiqueta de bagagem com as iniciais “AB” e um cartão de visita preenchido com o nome do prefeito e endereço em Mossoró.

Diferentemente do que ocorreu na residência do interior, não houve apreensão de equipamentos ou materiais no imóvel da capital. O auto circunstanciado registra a ausência de bens recolhidos, com a tabela de apreensão riscada, padrão utilizado quando nada é levado pelos agentes.

A diligência em Natal teve como principal resultado a confirmação do vínculo do investigado com o apartamento, a partir de indícios materiais e registros encontrados no local. A Operação Mederi segue em andamento, e as autoridades não detalharam prazos para a conclusão das apurações.

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