
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 pode gerar impacto estimado em R$ 46 bilhões para os municípios brasileiros. O cálculo é da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que passou a tratar a medida como uma das principais preocupações em discussão no Congresso Nacional.
Segundo a entidade, a redução da jornada de trabalho teria reflexos diretos em serviços essenciais das prefeituras, como saúde, educação, limpeza urbana e assistência social. A CNM estima que os municípios precisariam contratar cerca de 700 mil novos servidores para manter o funcionamento das atividades públicas.
O presidente da confederação, Paulo Ziulkoski, afirmou que o debate tem ignorado os impactos sobre o serviço público. De acordo com ele, além dos servidores efetivos, contratos terceirizados também seriam afetados pela mudança na jornada.
Diante do avanço da proposta no Congresso, prefeitos intensificaram articulações junto à Câmara e ao Senado. A entidade encaminhou documentos contra a medida aos presidentes das duas Casas e avalia até mesmo recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra propostas consideradas prejudiciais às finanças municipais.
A redução da jornada de trabalho é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que argumenta que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e reduzir o desgaste físico e mental. A expectativa da CNM é que o tema esteja entre os principais debates da Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que reúne prefeitos e lideranças políticas até quinta-feira (21).