
A saúde pública de Mossoró entrou de vez no centro da disputa política entre a Prefeitura e o Governo do Estado. O mais recente capítulo dessa batalha teve como palco o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva (HMFC) e foi marcado por um tom incomum de confronto adotado pela secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas. O embate começou após declarações do secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, que questionou a capacidade operacional da unidade municipal. Segundo ele, o hospital possui limitações estruturais importantes, como a ausência de leitos de UTI, apenas dez leitos de internação e a realização de procedimentos de menor complexidade. O secretário também ressaltou que pacientes em estado grave continuam sendo encaminhados para o Hospital Regional Tarcísio Maia.
A resposta da Prefeitura veio de forma contundente. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Morgana Dantas não apenas rebateu os questionamentos técnicos como partiu para um ataque político direto ao titular da Sesap. A secretária acusou Alexandre Motta de promover uma campanha de desinformação e elevou o tom ao classificá-lo como “o pior secretário de Saúde da história do Rio Grande do Norte”.
Para sustentar a defesa da gestão municipal, Morgana apresentou números da produção do hospital, destacando a realização de pequenas cirurgias, procedimentos gerais e ginecológicos e etc… Segundo ela, os resultados demonstram a importância da unidade para a população mossoroense e desmentem as críticas feitas pelo governo estadual.
O episódio evidencia que a discussão ultrapassou os limites da análise técnica sobre a rede hospitalar. O Hospital Municipal tornou-se uma das principais vitrines da gestão do prefeito Allyson Bezerra e, consequentemente, um dos alvos preferenciais dos adversários políticos. A reação de Morgana, marcada por um discurso de enfrentamento e defesa da administração municipal, reforça a percepção de que a disputa pela narrativa da saúde pública já está inserida no contexto eleitoral de 2026.
Enquanto Estado e Município trocam acusações sobre estrutura, atendimento e responsabilidades, a população acompanha uma disputa que, cada vez mais, mistura gestão, política e pré-campanha eleitoral.