
O que começou como uma estratégia de diferenciação eleitoral de Kelps Lima dentro da nominata federal da União Progressista está se transformando em um problema político para o projeto majoritário de Allyson Bezerra.
As críticas recorrentes do ex-deputado aos deputados federais Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio, todos integrantes da mesma chapa, elevaram o nível de insatisfação nos bastidores e já chegaram à mesa do pré-candidato ao Governo do Estado.
Entre os aliados, cresce a cobrança para que Allyson assuma uma posição e estabeleça limites antes que o desgaste provoque consequências mais profundas na construção da aliança.
O ex-governador Robinson Faria é apontado como um dos mais incomodados com a situação. Nos bastidores, interlocutores relatam que ele considera inaceitável permanecer sob ataques constantes sem qualquer reação do comando político do grupo. A avaliação é que, caso o cenário permaneça inalterado, o clima pode afetar seu engajamento na campanha majoritária.
João Maia, por sua vez, mantém a postura de evitar embates públicos e não alimentar a exposição do adversário interno. Ainda assim, pessoas próximas admitem desconforto com a frequência e o tom das declarações direcionadas ao seu mandato.
A leitura predominante entre integrantes da aliança é que Kelps tenta ocupar o espaço de principal representante político do projeto de Allyson na disputa proporcional. O problema é que, ao reforçar constantemente sua ligação com o pré-candidato ao governo enquanto direciona ataques aos próprios companheiros de chapa, acaba gerando dúvidas e desconfortos sobre até que ponto suas movimentações contam ou não com respaldo interno.
Se antes a orientação era ignorar as provocações para evitar ampliar a visibilidade de Kelps, agora o entendimento de parte dos aliados mudou. A avaliação é que o volume e a intensidade das declarações ultrapassaram o limite da disputa política convencional e passaram a provocar um ambiente de forte desgaste interno.
Nos bastidores, o sentimento é de que a situação deixou de ser apenas um ruído de campanha e se transformou no primeiro grande teste de liderança para Allyson Bezerra. Com a eleição se aproximando, cresce a pressão para que o pré-candidato encontre uma saída capaz de preservar a unidade do grupo e evitar que uma disputa interna comprometa a estratégia eleitoral da oposição.
O recado transmitido por integrantes da chapa é claro: ninguém está disposto a conviver por meses com ataques permanentes vindos de dentro da própria aliança.