
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente no sábado (22/11), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal apontar risco concreto e iminente de fuga. Segundo a decisão, a convocação de uma vigília feita por Flávio Bolsonaro nas proximidades da casa do pai e a violação da tornozeleira eletrônica reforçaram o alerta.
Ainda no sábado, a Secretaria de Administração Penitenciária registrou Bolsonaro admitindo que usou um ferro de solda no equipamento. No vídeo, ele disse ter feito isso “por curiosidade”.
No domingo (23/11), na audiência de custódia, Bolsonaro apresentou outra versão: afirmou que tentou abrir a tornozeleira por causa de um episódio de “paranoia” e “alucinação”, provocado pelo uso combinado de pregabalina e sertralina. Ele alegou ter acreditado que o dispositivo continha um equipamento de escuta clandestina e negou intenção de fuga. Disse ainda que estava acompanhado da filha, do irmão e de um assessor no momento do episódio — mas que ninguém percebeu.
A ata registra que Bolsonaro só interrompeu a ação por conta própria e informou depois aos agentes. A defesa, em documento enviado a Moraes, reforçou a tese de “confusão mental”, negou tentativa de fuga e pediu a reconsideração da prisão preventiva para convertê-la em prisão domiciliar humanitária, alegando problemas de saúde.
Moraes autorizou visita de Michelle Bolsonaro e solicitou que a defesa informe quais filhos desejam visitá-lo, por necessidade de cadastro prévio.
A prisão acontece após o STF ter rejeitado os últimos recursos da defesa na semana anterior, aproximando o processo do trânsito em julgado da condenação por tentativa de golpe, em que Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e três meses.
Nos bastidores, Moraes também registrou preocupação com a possibilidade de Bolsonaro tentar abrigo em embaixadas, citando episódios anteriores envolvendo Hungria e aliados como Carla Zambelli e Alexandre Ramagem que deixaram o país após condenações.
Agora, a decisão de prendê-lo ainda será submetida à 1ª Turma do STF, que fará uma sessão virtual extraordinária. Até lá, Bolsonaro permanece em sala de Estado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.