
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) ingressou com uma ação judicial contra o vereador de Natal Matheus Faustino, alegando que o parlamentar divulgou informações falsas sobre obras da empresa em vídeos publicados em suas redes sociais. A estatal pede indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil, além da retirada imediata do conteúdo do ar.
Nos vídeos que motivaram o processo, Faustino aparece fiscalizando a chamada “Linha Roxa”, um trecho ferroviário previsto para ligar os municípios de Extremoz e São Gonçalo do Amarante. O vereador afirma que a obra está paralisada, que o serviço nunca foi entregue à população e que o investimento , estimado em cerca de R$ 18 milhões, pode ter sido alvo de desvio.
A CBTU sustenta que as publicações configuram fake news e que teriam manchado a “honra e imagem institucional” da companhia. No processo, a estatal solicita ainda multa diária caso Faustino não exclua os vídeos das plataformas digitais.
Vereador reage e diz que empresa confirma falhas
Procurado, Matheus Faustino afirmou que exerce seu papel constitucional de fiscalização e que o processo não irá intimidá-lo.
“Venho fiscalizando a CBTU de maneira intensa já há algum tempo. Já teve obra parada que, coincidentemente, após uma fiscalização minha, voltou a funcionar”, disse o parlamentar.
Faustino também argumenta que a própria empresa reconhece problemas na execução da obra mencionada.
“No processo, a CBTU admite que rescindiu contrato por atraso, teve que contratar outra empresa e só retomou a obra em 2025. Eles dizem que eu minto, mas reconhecem por escrito que havia atraso e problema grave na execução. A realidade desmente a narrativa”, afirmou.
Ele reforçou que continuará realizando fiscalizações:
“Querem me intimidar com essa história de multa de R$ 50 mil, mas não conseguirão. Vou continuar fiscalizando e denunciando, tudo dentro da lei.”
Obra não foi entregue
A Linha Roxa, apesar de prevista há anos, nunca entrou em operação. As estações e a linha férrea foram construídas parcialmente, mas o serviço não chegou a ser disponibilizado ao público, o que gerou questionamentos e diversas fiscalizações de órgãos municipais.
O processo segue em tramitação na Justiça Federal.