Imagem: Reprodução

A possibilidade de renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT) para disputar uma vaga no Senado em 2026 passou a ser tratada com cautela nos bastidores da política potiguar. Segundo apuração dos jornalistas Saulo Espinelly e Anna Karinna Castro, comentada no programa 12 em Ponto, da 98 FM Natal, cresce a avaliação de que Fátima só deixaria o cargo caso tivesse segurança sobre quem assumiria o governo em um eventual mandato tampão.

De acordo com Saulo Espinelly, interlocutores próximos à governadora apontam que a decisão de renunciar está diretamente condicionada ao controle do processo sucessório na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN). “Conversei com quatro pessoas, dois petistas históricos e dois que circulam na governadoria, e todos foram unânimes: se a governadora não tiver certeza de que conseguirá fazer o ‘tampão’, não acreditam que ela renuncie”, afirmou o comentarista.

A apuração também indica que o impasse gerou repercussão em Brasília. Segundo Espinelly, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, teria feito contatos com lideranças do MDB para tratar do posicionamento do partido. “Gleisi ligou para Baleia Rossi e conversou com ministros do MDB, como Jader Barbalho e Renan Filho, questionando a postura de Walter Alves e se a executiva nacional não iria se posicionar”, relatou.

Ainda conforme as informações, o caso teria sido encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para formalizar a ida do vice-governador Walter Alves (MDB). Para Espinelly, a movimentação foi uma sinalização política. “Foi uma resposta para mostrar que o MDB apoia o governo federal e o presidente Lula, mas que, nas decisões internas do partido, o PT não interfere”, disse.

Já a jornalista Anna Karinna Castro destacou que o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, também aparece como peça central nesse cenário. Segundo ela, Ezequiel teria interesse em conduzir o processo, mas não em assumir o governo. “Ele vai conduzir esse processo, mas deixou claro que não assumiria nem provisoriamente”, afirmou.

A comentarista acrescentou ainda que fontes indicam uma aproximação de Ezequiel com grupos de oposição ao governo estadual. “Há relatos de que ele estaria trabalhando para montar a nominata proporcional do Republicanos”, disse.

Para Anna Karinna, esse movimento sinaliza um distanciamento do projeto político da governadora. “Se a oposição já conta com pelo menos 11 votos e o presidente da Assembleia se aproxima desse grupo, a governadora passa a ter muita dificuldade para renunciar e emplacar um nome alinhado ao seu campo político”, avaliou.

Diante desse cenário, cresce nos bastidores a hipótese de que Fátima Bezerra opte por permanecer no cargo até o fim do mandato, abrindo mão, ao menos por ora, da pré-candidatura ao Senado, caso não haja garantia de maioria na Assembleia para assegurar um governo tampão favorável ao seu grupo político.

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