
A poucos meses das eleições de 2026, lideranças políticas investigadas passaram a adotar nas redes sociais um discurso que atribui a operações policiais e decisões judiciais a supostas motivações eleitorais. A estratégia tenta apresentar investigações em andamento como episódios de “perseguição política”, buscando mobilizar apoiadores e reduzir impactos na imagem pública.
No Rio Grande do Norte, o caso mais visível envolve o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). No fim de janeiro, a Polícia Federal realizou uma operação que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão para apurar possíveis irregularidades relacionadas a recursos da saúde e à comunicação institucional da prefeitura.
Após a ação, o prefeito passou a questionar publicamente o momento da operação, destacando que o processo investigado é de 2023 e que as diligências ocorreram em ano eleitoral. Em declarações divulgadas nas redes sociais, Allyson relacionou a investigação ao fato de aparecer em pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado.
Levantamentos indicam que o mesmo tipo de discurso também vem sendo adotado por prefeitos em Amazonas e Amapá, que disputam espaço político para as eleições estaduais. Especialistas apontam que a estratégia busca transferir o debate do campo jurídico para o político, enquanto órgãos de controle afirmam que o ritmo das investigações segue a coleta de provas, independentemente do calendário eleitoral.
Com informações de BNews Natal