
Faltando ainda mais de um ano para as eleições de 2026, o Rio Grande do Norte já respira campanha. Sob o disfarce de “seminários”, “rotas” e “encontros regionais”, para não ferir o calendário da Justiça Eleitoral, os principais pré-candidatos se lançam no jogo, testam forças, medem suas bases e, sobretudo, mostram que a disputa está longe de ser morna.
Em Natal, o PL encerrou sua série de encontros regionais, o chamado Rota 22, com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto. Se a justificativa oficial era “ouvir a população”, a prática foi o lançamento do senador Rogério Marinho como o nome bolsonarista para o governo estadual.
Valdemar, pragmático como sempre, enalteceu a liderança nacional de Rogério, mas ressaltou que “o RN precisa mais dele aqui”, sinalizando claramente que o partido aposta todas as fichas na candidatura ao Executivo local. No palanque, Michelle Bolsonaro deu o tom agressivo contra Lula (PT), chamando o presidente de “pinguço”, enquanto aliados como o deputado federal General Girão defenderam a anistia.
Com deputados estaduais e federais reforçando o evento, o PL mostrou musculatura, mas também o roteiro conhecido: dependência da narrativa bolsonarista e da força eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro para manter a base coesa.
Do outro lado, o PT também promoveu seu ato político. Na Arena das Dunas, militância em peso e a presença do presidente nacional, Edinho Silva, marcaram a posse da deputada Isolda Dantas e da vereadora Samanda Alves na direção estadual. Samanda fica à frente no 1º biênio.
Mas a principal mensagem foi clara: a governadora Fátima Bezerra vai disputar o Senado, e Cadu Xavier, atual secretário de Fazenda, será o candidato a governador. A fala de Cadu deixou de lado o tom técnico e assumiu o político. Mirando o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ele ironizou: “Pode botar chapéu de couro, mas não vai ganhar o povo do Rio Grande do Norte”. Foi o recado mais direto até agora ao adversário que cresce no Seridó e no Oeste.
O PT mostrou unidade para a largada, embora os desafios estejam na construção de alianças. A grande dúvida é se conseguirá trazer partidos do Centrão, hoje muito mais próximos do campo de Rogério Marinho.
Enquanto PT e PL polarizam, o PSD preferiu caminhar em faixa própria. A senadora Zenaide Maia, em seminário que reuniu prefeitos de todas as regiões, exibiu sua principal arma: as emendas parlamentares. Ao destacar que destinou recursos para todos os 167 municípios, ela se consolidou como “a senadora dos prefeitos”, transitando com naturalidade entre bases governistas e oposicionistas.
Com prefeitos da Grande Natal, do interior e especialmente do Oeste — levados por Allyson Bezerra —, Zenaide mostrou capilaridade e força política. Diferente dos demais palanques, evitou ataques diretos, preferindo a imagem de agregadora. No discurso, pediu o “primeiro voto” para o Senado, enquanto lideranças a projetavam como favorita absoluta à reeleição.
O que se viu neste final de semana foi um ensaio aberto da guerra de 2026. De um lado, o PL radicalizando contra Lula. Do outro, o PT se armando com a força da militância. E no meio, o PSD, pragmático, cuidando de consolidar Zenaide como peça-chave em qualquer composição.
Se o calendário oficial ainda não permite o uso da palavra “campanha”, a prática já mostra: a eleição de 2026 começou. E o RN será palco de uma disputa tripolar, em que alianças, ataques e o peso das emendas parlamentares podem definir o futuro político do Estado.