
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) confirmou, nesta segunda-feira (27), cinco novos casos de intoxicação por ciguatera em Natal. As ocorrências envolvem integrantes de uma mesma família que consumiram o peixe conhecido como bicuda durante o fim de semana. Com os registros mais recentes, o estado chega a 115 casos da doença. Em janeiro deste ano, o número já havia chamado atenção das autoridades, com 90 confirmações acumuladas em 2025. O Rio Grande do Norte é, atualmente, o único estado do país a realizar notificação sistemática da ciguatera.
A intoxicação alimentar é causada pelo consumo de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas presentes em áreas de corais e recifes. Espécies como barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado estão entre as mais associadas aos casos registrados desde 2022, quando o estado passou a identificar surtos e ocorrências isoladas da doença.
De acordo com a Sesap, os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado. Entre os principais sinais estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca. Em alguns casos, os efeitos podem persistir por semanas ou até meses.
A secretaria orienta que pessoas com sintomas compatíveis procurem imediatamente atendimento de saúde e informem o consumo recente de peixe. Também é recomendado identificar a espécie consumida e, se possível, preservar sobras do alimento, devidamente acondicionadas e congeladas, para análise da Vigilância Sanitária. Além disso, a população deve evitar o consumo de pescados de procedência desconhecida ou associados a relatos de intoxicação.
A ciguatera não possui tratamento específico ou antídoto. O manejo é baseado em medidas de suporte, como hidratação, controle de sintomas e acompanhamento clínico. As toxinas responsáveis pela doença são incolores, inodoras e não são eliminadas por processos como cozimento, congelamento ou defumação, permanecendo ativas mesmo após o preparo do alimento.
Os casos suspeitos devem ser notificados pelas equipes de saúde ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), além das autoridades municipais e estaduais. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (Ciatox-RN) também pode ser acionado 24 horas por dia para orientação sobre os atendimentos.