Foto: Reprodução/98 FM Natal
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 6 de agosto acendeu o alerta no setor produtivo do Rio Grande do Norte. Empresários potiguares temem impactos como aumento da inflação, alta nos preços e crescimento do desemprego, especialmente em cadeias que dependem fortemente do mercado americano, como sal, pesca, doces e reciclagem.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serkis, a entidade tem acompanhado o caso desde os primeiros sinais da medida, em articulação com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e representantes do setor produtivo. “Agora temos um fato concreto. É o momento de enfrentar o desafio real imposto pela decisão americana”, afirmou Serkis.
Ele alertou que os impactos para a balança comercial potiguar podem ser expressivos. “Somente um setor foi contemplado — o de óleo combustível. Outros como pesca, sal e balas de pirulito exportam entre 60% e 80% de sua produção para os EUA. Isso tem uma representatividade gigante na nossa economia”, pontuou.
O setor salineiro, um dos mais afetados, projeta perdas significativas. De acordo com Ayrton Torres, presidente do Sindicato dos Produtores de Sal do RN, os Estados Unidos absorvem cerca de 550 mil toneladas de sal potiguar por ano. “Perdemos esse mercado e não temos outro destino externo com a mesma capacidade. Estamos contratando empresas especializadas nos EUA para tentar reverter essa medida junto ao governo americano”, revelou.
Já o setor de reciclagem considera a tarifa um golpe fatal nas relações comerciais com os Estados Unidos. Etelvino Patrício, presidente do Sindic Recicla, disse que a alta taxa inviabiliza as operações com o país norte-americano. “Nosso material tem baixo valor agregado. Um aumento de 50% torna inviável qualquer operação. Estamos buscando novos mercados para minimizar as perdas, mas sabemos que os EUA ainda são os que melhor pagam”, lamentou.
Produtos como petróleo, suco de laranja, aviões e aço ficaram de fora da nova taxação. No entanto, itens com forte presença na balança comercial potiguar, como carne bovina, frutas tropicais e café, foram diretamente atingidos.
Embora a medida ainda possa ser revista, os setores produtivos do estado já se articulam diante das possíveis consequências econômicas e sociais.